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Sobre como meu irmão é romântico.

O Fofo foi pra Miami sábado a tarde a trabalho. Fica lá ralando 7 dias e 4 dando umas bandas.
Como vocês já devem saber, meu irmão é super reservado e detesta declarações de amor. Eu que adoro, fico degustando os miolos dele a cada vez que temos que dizer tchau por algum motivo. Pouco antes de viajar, liguei para ele toda animada. O diálogo a seguir me faz ter absoluta que meu amado brother tem sérias dificuldades com o romantismo entre irmãos...

Eu:
Oi, fofo! Arrumou tudo?

Ele: Já sim. Estou terminando de fechar a mala.

Eu: Não esqueceu nada? Escova de dentes?

Ele: Não, não esqueci nada.

Eu: Cuecas? Camisetas brancas? E seu barbeador?

Ele: Tudo bacana. Tudo em cima. Eu sou organizado, lembra?

Eu: Lembro, mas nunca custa dar uma reforçada, né?

Ele: Hurum, você e suas reforçadas eternas, Tatum...

Eu: Tá. Mudando de assunto, que horas você vai pro aeroporto?

Ele: Daqui meia hora.

Eu: Tudo bem, então nos encontramos lá. No embarque internacional, tá?

Ele: Mas.. quem disse que você vai?

Eu: Eu, ué!

Ele: Errado, você não vai!

Eu: Porque não?

Ele: Porque eu odeio despedidas! E você devia estar esgotada de saber disso!

Eu: Mas eu quero ir!

Ele: Mas não vai!

Eu: Por favor.. deixa eu ir!!!!! Eu vou, pronto. Você não manda em mim!

Ele: Não. A gente se vê na volta.

Eu: Ah não! Eu vou morrer de saudades! Quero te dar um cheiro antes de você ir pro gringo!!!

Ele: O cheiro fica pra quando eu voltar, tá?

Eu: Não! Eu quero ir!

Ele: Quantas vezes eu tenho que dizer não? Sua teimosa!!!!!!!!

Eu: Então pelo menos diz que me ama e que vai morrer de saudades de mim, vai!!!!

Ele: ahahaahahahah Eu não vou morrer! Só vou ficar 10 dias fora!

Eu: Tudo bem, mas diz que me ama mesmo assim, ué! Você é meu único irmão, porra!

Ele: ahahaaah! Tá bom.. Então agora deixa eu fechar minha mala.

Eu: Você não vai dizer que me ama?

Ele: Um beijo. E fica com Deus!

Eu: Diz que me ama!!

Ele: Vou ficar com saudades. Mas agora minha bateria está acabando, tá? Beijo, ôtro e tchau, florzinha!

E ele foi. Sem me deixar ir ao aeroporto nem dizer que me ama.
Ai ai. Meninos rudes!!!

   





E agora, José?


Nem Autuori, nem Luxemburgo, nem Muricy. Menos ainda Felipão.
O novo técnico da seleção canarinho é nosso ex-jogador Dunga.
Tomara que nosso ataque não seja formado por zangados e sonecas....  

É mole??? E agora??

 


 





Carta pra você que está tão longe.

Meu amor,

Ah..... quanta coisa para contar!!!!
Eu tenho sentido uma saudade louca dos nossos tempos. Velhos tempos de gargalhadas, de copos de café, de tantos anos de convivência, de tantas boas histórias para contar, escrever ou só lembrar enquanto não se há nada melhor para fazer. Eu tenho tido muitas coisas melhores para fazer e mesmo assim tá dando para sentir uma saudade desesperada.

Essa semana - confesso - fiz o que você mais detesta que eu faça: chorei!
Sabe porque? Porque fui arrumar um armário e achei um diário seu. Abri e comecei a lembrar, quase sem dificuldade, de cada dia descrito naquelas páginas com letra pequena para caber todos os detalhes. Eu lia e enxergava as cenas sempre tão claras. Como foi nossa vida desde o comecinho. Desde que decidimos unir nossos trapos em comunhão e nos suportarmos até que as expectativas e a rotina esgotassem com o amor.

No dia 12 de junho daquele ano você escreveu lá: "Mandei flores pra Tati. Ela ficou tão feliz!"
E no dia 15 de julho: "Hoje é estréia da Tati no TBC. Estou ansiosíssima por ela - que virou a noite estudando".   
E o orgulho do dia 20 de agosto: "Tati saiu no jornal numa foto linda. Quase explodi de orgulho".  

Senti um nó tão violento na garganta que até tomei um copo de água. E eu que passo a vida tentando superar me vi sem conseguir entender porque você saiu daqui e não voltou. Porque fizeram isso comigo, com você, com a gente. De repente te escutei berrando da sala: "Menina, menina"!!!!!, com aquela voz tão suave que mesmo brava não era capaz de assustar.

Por aqui está tudo bem. Só queria que você pudesse participar das coisas. Nossa casa nova está o máximo, a geladeira e o fogão são lindos, o piso tem até silenciador e o Thiago está viajando hoje para ficar 10 dias longe de casa. Vai pro gringo a trabalho. Ainda bem que o Renato me faz uma companhia irresistível. Ele é tão legal!!! Você tinha que tê-lo conhecido, sabia? Iam se divertir muito juntos e seriam ótimos amigos! Temos falado muito em você. Tenho contado suas passagens mais incansáveis, engraçadas e tão antigas. E ele ri tanto, você tinha que ver! Contei as histórias de Las Vegas quando você ganhou sem perceber que tinha ganho; as do glamouroso Tio Jô e as amantes atrevidíssimas que você fartou-se de esconder e ainda descrevi os bilhetes que você trocava com o Vô Sogrinho. Ah! Narrei também a primeira vez que a Tia Roseli foi na sua casa e derrubou um filézão a parmegiana na sua toalha de renda branca mais chique. Tia Rose adora essa história e fica com falta de ar até hoje quando lembra!

Outra tarde dessas, entrei numa loja e vi seu perfume preferido. Tinha um mostruário e pedi pra atendente para experimentar. Ela colocou um pingo e saí da loja rindo de quando você dizia: "Não mexe no meu Yves Saint Laurent porque está acabando, entendeu?".
E há uns meses atrás passei na frente de nossa antiga casa. O trânsito acabou parando exatamente na frente da portaria. Você acredita que o Zé ainda é o porteiro de lá? Ele estava para fora do prédio. Abri o vidro e gritei: "Zé!!!!!!". Ele abriu o velho sorrisão e me perguntou: "Menina, você está boa? Venha tomar um café comigo qualquer hora dessas!". Eu prometi que vou. E vou mesmo! Só preciso esperar a correria ficar menos histérica.

O Nick está ótimo. Essa semana foi chamado de "cachorrinho da Barra Funda" pela dona do Pet Shop! Juro. Quase morri de vergonha. Ele está cada dia mais levado, sapeca e abana o rabo para qualquer coisa. Até para um poste. Menos pro pessoal do Pet Shop, que por sinal, ele costuma morder.... É.. de fato ele não é o cachorro mais inteligente. Mas isso não tem importância porque ele é o mais fofo. Escrevendo este parágrafo acabei de me recordar que quando o canídeo ficava na porta do seu quarto querendo entrar, você falava bem alto: "Olha o cachorrinho de tocaia!!!!". E tinha que ir correndo espantá-lo do seu aposento quase real.

Sabe que faltam 20 dias pra eu fazer 30, né? Estou pensando numa comemoração a dois. No aniversário dele também foi assim: só nós. E foi romântico, hilariante, sacana e feliz! Olha eu te esfregando as intimidades na cara, né? Que baixeza! Put´s, ia esquecendo de dizer que comprei o DVD do Vinícius. Tem tantos contos nele que eu já conhecia porque você me ensinou!

A má notícia é que seu time anda variando entre o péssimo e a segunda divisão (enquanto o meu está numa luta desenfreada por mais uma Libertadores). Ainda bem que isso você não está vendo! E a seleção na Copa do Mundo? Não passamos das quartas, sabia? Um fiasco. As boas notícias são que aprendi a fazer risoto, lavo roupa com total propriedade e nunca mais esqueci de olhar pros dois lados da rua antes de atravessar! Só passar roupa que ainda é difícil.... E já desisti... a bem da verdade. O Alemão mudou para Amparo, Tia Ruth trocou de casa e o Raul Cortez se despediu desta vida essa semana que passou. A Carol vive se lamentando de não ter se despedido de ti. E eu sempre respondo: "Ela te amava tanto, baixinha, que não tem problema nenhum"... E Waltinho se forma em Medicina logo mais, você acredita? Guenta coração. Tudo ao mesmo tempo agora.

Mamãe mora em Lisboa e é muito mais feliz lá do que era aqui. Fico feliz por ela. Estava na hora.
Tia Rose cada virada de noite é mais meu espelho: a gente se equilibra entre o caos e a constante. Uma loucura. Papai... papai do mesmo jeito. Sempre bem.

De resto, não tenho muitas novidades. E você conte-me lá!
Sua falta aqui é eterna. Você mal pode calcular.

Um beijo com muito amor.
Mas muito messssmo!

Sua neta,
Tatiana.
        


 





Coisas da quarta-feira.

* Geladeira e fogão lindos, lindos!!!

* Tricolor ganhando depois do Ed Carlos.. E eu aqui, torcedora fanática, morrendo pelo São Paulo!

* Brother embarcando pro gringo sábado. 10 dias sem meu fofo. Ai, ai.

* Nick mais manhoso que nunca!!! Agora chora cada vez que o Renato vai no corredor.

* Minha ansiedade comendo solta e meu sono indo pro saco!

* TPM fritando os miolos. Do Renato, coitado!

* Quando eu morrer me enterrem com a cabeça pra fora porque ainda não vi tudo!!! 


Beijo prôces todos.
Tatu.





Só mais um das mulheres.

Uma amiga esta semana me disse o seguinte: "Eu não sei o que me faz gostar tanto dele".

Eu sei. Eu sei exatamente o que te faz gostar tanto dele.
A primeira flor que ele te deu, fez de joelhos, com a mão esticada e sussurrando: "Estou apaixonado por você".
A primeira vez que te levou pra jantar, foi num puta restaurante lindo, a luz de velas e pediu seu macarrão predileto antes que você dissesse qualquer coisa porque já tinha se informado com amigos qual sua massa preferida.

E a segunda vez que você pisou no sítio da sua sogra o moçoilo enfeitou seu travesseiro com flores do campo e um vidro de perfume. E uma outra noite, pediu que um amigo o ajudasse na difícil tarefa de uma serenata. Mesmo sem saber exatamente qual as músicas tocariam seu coração resistente.

O cheiro dele. A roupa dele. O jeito que ele acorda e espreguiça. E bocejando? A sopa de pacote que ele faz que fica tão delicidosa quanto aquela que sua mãe demora 4 horas pra fazer e suja o liqüidificador inteiro. A camiseta horrorosa que usa e que deixa ele com um charme especial. Um quê de "tô nem aí".

A cor dos olhos eternamente indefinidas mas que dão para este homem um toque peculiar.
O jeito que beijou sua boca a primeira vez. E a segunda. E a terceira. E a quarta também. E todas as outras vezes que beijou sua boca e que suas pernas amoleceram e que um fio gélido correu sua espinha.

A calça apertada que te deu e depois disse que você era a mulher mais gostosa do mundo com a cara mais safada que você já viu. Mais safada e mais deliciosamente sacana. E o sorriso dele? Aquele sorriso meio torto que você sempre jurou te fazer esquecer qualquer dor de cabeça, hein?

O passo lento dele. A dancinha íntima que o gatinho fazia com o objetivo de arrancar de você mais uma risada histérica de felicidade. O banho demorado de mulherzinha que ele toma mesmo com todos os veículos pedindo que a gente economize água. O jeans quase furado na bunda. A bunda mais redondinha e perfeita que você já imaginou ver.

O cheirinho no pescoço em todos os "ois" e "tchaus" que este rapaz nunca esqueceu de dar. A voz baixinha do menino tímido naquela tarde no Iguatemi quando ele disse que pela primeira vez, tinha sonhado estar casando. Com você.

As trapalhadas jamais superadas cada vez que ele insistia em comer uma fatia de melancia com a mão, a mania de comer mamão com mel e sucrilhos de manhã cedinho. O hábito de malhar dizendo que é pra ficar lindo só pra você porque as outras mulheres não importam. O irritante bom humor que espantava sua TPM. Os beijos de bom dia. As ligações só para perguntar se estava tudo bem. Os beijos de boa noite. As transas sempre minuciosamente... Os abraços de depois. O calor da mão dele te pegando forte até hoje para atravessar a rua. As brigas por ciúmes do seu amigo de trabalho seguidas, todas elas, de uma massagem nas costas como pedido de desculpas e uma "lambida de lagartixa" pra confirmar que te ama. A coisa de pele. A preferência dele pelo seu cabelo crespo. Liso. Mau arrumado. Com ou sem progressiva.

O caráter dele. A personalidade bem formada, o jeito incorruptível. A profissão dele. A mania chata de trabalhar sexta-feira até ás 21:00 horas mesmo que você esteja esperando. E nessas noites um bombonzinho sempre te espera no carro. O cavalheirismo de abrir a porta do carro (depois de 3 anos de namoro) para você entrar e dizer lentamente com o braço estendido e as pernas dobradas: "Mademoiselle"

As pitangas que ele pegou do vizinho quando você as olhou com olhar suculento.
Os shows do Jota Quest. Da Marisa. A viagem a Búzios. O Carnaval na Sapucaí. O final de ano em Salvador debaixo de um calor escaldante.  
Tudo, tudo. Os póros dele. O sangue que corre naquelas veias. O corpo dele. A alma dele. As pegadas dele. Os delírios e sonhos. Os planos. A pinta de nascença no braço. E a coxa grossa.

E se tudo isso (mesmo assim) não explicar o que te faz gostar dele, amiga..... nem Deus sabe.
É só para lembrar que nem sempre quando a gente tem, as pessoas têm seu devido valor.  

   
 





O que resta das relações.

Ela precisa de casas enormes (na cidade, na praia, no campo), carros espaçosos e caríssimos, relógios que valem fortunas incalculáveis, roupas que deixam a Daslu na chinelinha. Tudo sempre do mais caro. 

O marido dela bebe o champanhe mais absurdamente valioso, fuma um (É um!!!! Não uma caixa) charuto que vale metade do meu salário e passa um creme na cara que me deu ódio quando descobri o preço. O chão do escritório dele é o mármore mais lindo de todos os lugares que fazem mármore neste planeta. Ele nem quis ver quando estava decidindo que piso colocar. Disse pro arquiteto: "Coloque o que é mais caro em minha casa e em meu escritório. Dinheiro não é o problema.".

O cara obedeceu. Arrancou no mole horrores de grana do velho esbanjador. Ele e todos os terceirizados que fizeram as obras dele.

Ela adora Miami e Nova York para compras. Mas andou espalhando que viu poucos lugares como o Alaska e que a melhor comida do Universo encontra-se na França. E da Suíça ela come os chocolates porque os da Nestlé são frustantes pra um paladar apuradíssimo. 
Ele já prefere Mônaco. Qualquer feriado que possa emendar, ele arruma as malas e vai pro Clube de golfe que tem no Principado.
Eles estão entrando na melhor idade já. Eu arriscaria dizer que ela tem 61 e ele 68. Inteiros. Cuidados. Com cara de 50.

Ela só consegue falar disso. Dinheiro, money, "faz me rir".
Quanto pagou na roupinha do cachorrinho da Índia que veio direto de lá, só pra ela. Tipo cachorro de edição limitada, sabe? Fabricaram pouquíssimos de muitos mil euros. Lembra a cada minuto onde adquiriu cada pulseira das 872 que usa no braço, diz o preço de uma por uma, quem fez e como foi difícil conseguir cada uma daquelas. Porque afinal, não é qualquer um que pode pagar uma pulseira que vem do interior da Mongólia de um artista que só atende Reis, Ministros, rainhas e os escambais. 

Outro dia desses acordou mau-humorada. Tiveram uma discussão feia. Ela ameaçou, como sempre, sair de casa.
Ganhou um Audi TT de tarde. Na hora que o carro entrou na garagem ela até esqueceu que o maridão chegou em casa 5 da manhã, fedendo perfume barato (o que, obviamente, a irritou mais ainda), nojento e embriagado. Esqueceu tudo. 
Ele fez que não houve nada também. E de agradecimento ganhou da esposa uma noite de amor linda.
Ela jogou rosas na cama, gelou champanhes deliciosos, pegou alguns dos charutos e bezuntou o corpinho do creme que é igual a 6 supermercados de mês pra uma família de 20 pessoas. Vestiu a camisolinha Perla, cheia de rendas e babados, transparente e sensual. Agora ela estava para matar o velho. Ainda mais depois das plásticas que fez. Prendeu o cabelo com um prendedor de ouro que ele trouxe quando foi para China a trabalho. A noite de amor foi ótima. Deram uma (male male) e foram dormir. Ele satisfeito. Ela louca pra amanhecer e sair com o carro novo. Tem que mostrar logo pra Cristina. "Ela vai babar com meu carrinho divino!"

Quando amanhece o maridão sai pra encher ainda mais sua conta bancária de milhões de galinhos. 
Ela sai pra passear de carro novo. Vai aproveitar e dar uma chegada no cabeleireiro. Diz pros empregados que ninguém pode ligar o carro. E se puder evitar passar perto, melhor ainda. Ela está radiante. Colocou uma calça de oncinha apertada, um brinco enorme, passou o perfume que comprou numa loja de Paris e uma batinha branca linda. Decotada. "Ai, como eu arraso!"

Sai da garagem com cuidado. Afinal vale muito e é o carro mais bonito que já ganhou. Ela só quer o TT agora. 

Ela sai para bancar o pavão.
Ele atende as ligações do outro lado do mundo para fechar negócios mais e mais milionários.
Ela almoça com uma amiga no Gero e conta que o personal trainer anda jogando charme para cima dela durantes as aulas. A amiga adora a história e quer detalhes. E escuta o seguinte: "Ele é lindo e sarado! Estamos de paquerinha... ele sabe que sou casada e que não largo o Nestor. Já pensou se largo o Nestor, menina? Ele morre! Tá ficando mais velho, não tem mais como falar em divórcio agora... " 

Ele sai com a secretária. Leva-a num motel de primeira na hora do almoço. Um típico almoço executivo do qual ele participa há 6 anos. Jura para a amante atuante que não se separa porque a mulher é muito dependente e tem medo de ela enlouquecer caso peça o divórcio. Revela que não a ama há anos e que só se preocupa mesmo pelos anos de convivência, pelos filhos, netos...

Todos os amigos adoram hospedar-se com eles, jantar etc... Ou mesmo ir a Las Vegas para jogar um pouco do tanto que têm. Esses amigos dizem que são tremendamente companheiros e felizes. Não se largam! Vivem muito bem. São o modelo de sucesso. Muita grana, conforto, casas lindas, lofts que facilitam a vida.

A amiga perguntou se ela é feliz.
"Eu queria ter um grande amor. Mas não dá para ter tudo nessa vida, né?"  

O amigo perguntou a ele como andam as coisas em casa. Ele disse:
"Como sempre. Uma hora é preciso ficar com o que resta de uma relação: a amizade".

E o dinheiro, naturalmente.

Ai ai.  





A sensação de ser cuidada.

Ser cuidada nunca foi a minha praia mesmo. Sempre preferi cuidar. Cuidar dos outros. Aprendi a cuidar de gente com alguém que não está mais entre nós. 

E descobri que para cuidar é necessário amar (um amor muito grande para fazer sem desejar nada em troca), abdicar, superar, abstrair. Saber rir nas horas certas. Quando o outro mais precisa. O time do amor.  

Errei em alguns momentos. Nos momentos em que precisava ser cuidada e não soube receber. Nem sei explicar porque mas receber também nunca foi meu forte. Sempre fui auto-suficiente pra receber.
Coisa de maluca mesmo, podem pensar! Coisa de quem não sabe ser fraca. Um erro tremendo. 

Cuidar de gente me fascina. A gratidão é um sentimento gostoso, docinho que alimenta a alma. Tentem!
O grau de amor toma proporções enormes. Que a gente certamente não conhece quando tudo está muito bem.
A rotina toma ares de intimidade. Uma intimidade plena que não dá pra descrever.

Cuidar requer força e iniciativa.
Ser cuidada requer graça, humildade, modéstia.

Será que sempre fui arrogante? Hum....
Os arrogantes perdem tempo de suas glamourosas vidas cuidando de gente? Hum....

Ser cuidada é uma arte. Uma arte que precisa de aprendizado como todas as outras.
É saber receber sem medo e agradecer de todo coração.
É compreender que a gente é tão importante quanto os nossos melhores amigos, quanto nossa família e quanto tudo que amamos. É saber exercitar a difícil tarefa de sentir-se amado. Justo nós, atualmente tão egoístas, solitários e individualistas.

Ser cuidada é admitir que o que você fez valeu. E tem um puta valor. É alimentar o ego que por algum motivo anda brigando comigo.

Estou aprendendo a ser cuidada por meus "meninos". Já deixo que façam a sopa de pacotinho.
Sou capaz de permitir que me ajudem com uma lâmpada queimada na cozinha. Antes, nem isso. Tinha que fazer tudo sozinha. Porque afinal, eu quem cuidava deles.        

Ser cuidada tem um charme delicioso. O charme de pedir um guaraná mesmo quando os dois já estão deitados. E ver que um deles vai levantar e trazer a latinha. Um charme de intimidade maravilhoso que só se conquista com tempo de convivência e paciência. Além de amor, óbviamente. Estar sendo cuidada com uma atenção linda pelos meus velhos amigos tem me renovado. Tem me dado a certeza de que estou no caminho certo. De que escolhi as pessoas certas. De que me dediquei a quem merecia.

Eu tenho sido cuidada com um amor esplêndido.
Não, eu não estou doente. Nem triste.
Aliás, estou num momento pleno da vida. Com um cara espetacular, um irmão que é um companheiro eterno, amigos que têm me dito que me amam a cada telefonema e um cachorro que abana o rabo para mim aconteça o que acontecer.

Eu realmente sou uma pessoa de sorte.
Ser cuidada mesmo sem ter motivo para isso faz as coisas ficarem ainda melhores.
E sou extremamente grata e feliz por isso.  





Diálogo da massagem.

Como vocês estão cansados de saber tenho duas características fortes. Sou ciumenta e apressada.
Isso me rende algumas situações constrangedoras durante minha vida. E mesmo tendo certa experiência nesse tipo de constrangimento, eu não mudo. É incrível a minha capacidade de repetir comportamentos não condizentes com minha situação de candidata a mulher bem resolvida. Mas como também sou uma mulher de sorte, arrumei um pseudomarido candidato a monge (no quesito paciência).  Por causa dessa combinação fatal tivemos um pequeno entrevero. Coisa de louco.  

Estamos vendo um filme e tem lá uma cena onde o bonitão faz massagem na gostosona...
Começa a seguir o diálogo que quase acabou com a minha vida durante a semana.....

Rê:
Hoje descobri que eu sou relaxado, amor...

Eu: Como assim?

Rê: Quando a mulher tava me massageando ela falou que...

Eu (já enlouquecida): Hã? Eu Entendi direito? Você não tem o menor carinho pelo que existe entre suas pernas....

Rê (pasmado): ahahahahhah!!!! Tatiana, eu fico deveras surpreso com a sua agressividade...

Eu (que não consigo ouvir): A minha agressividade? Você acaba de me dizer que tinha uma mulher te massageando e eu que sou agressiva!!!... Na verdade nem sou tão agressiva... eu só quero arrancar uma das suas extremidades, seu biscateiro.

Rê: Relaxa! Eu tava...

Eu (mais apressada que nunca): E além do mais, outro dia você disse que só trabalhava com homens... e hoje diz que tinha uma mulher te massageando. O que você bebe é forte e te faz perder a noção do perigo, né?

Re: Me ouve... Tatiana...

Eu: Preciso comprar mais verniz pra essa tua cara de pau! Renato, Só me diz uma coisa...agora. Quem é que te faz massagem?? Fala logo!!!

Re: A professora da Laboral.

Eu: ahaha..Quer dizer que a professorinha tarada da laboral anda te dando uma massageadinha? Quando é isso?

Re: Na laboral, talvez?

Eu (constrangida): Ah!!! Ai Renato, que mania essa sua de me deixar falar sem parar.... Porque você não falou logo?

Rê: Porque você não deixou, talvez?