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Sobre a falta que ela me faz.

Um dia eu acordei e quando entrei no blog ela tinha ido embora. Sem dizer nada, nada. Assim, como se eu não representasse absolutamente nada para aquela peste. Ela tinha estado aqui horas antes, com um belíssimo discurso de quem acaba de voltar de algum lugar (lindo e inspirador) cheia de novidades. A gente tinha um acordo quase que de paz. Quase que de ajuda recíproca. E ela não cumpriu. Estou com ódio dela porque quanto mais tento esquecê-la mais ela volta à minha cabeça. Era quase que um hábito. Quase que uma terapia. Quase que um cursinho safado e desnecessário de auto-ajuda. Quase que como escovar os dentes. Como ouvir Jobim. Como pensar em mudar de cidade. Como comer ostras no Alemão. Era quase que respirar aliviada depois de um dia fodido de trânsito, trabalho e muita discussão.

 

Era meu escape, meu arroto, minha gozada.

O suspiro dos quase mortos, a balada dos solteiros, o vinho dos enólogos, o Romeu de Julieta. Que coisa mais estúpida!!! Eu sempre tive mania com Romeu e Julieta por causa de um professor de teatro, que merda.

 

Alguns meses depois ainda sinto sua falta. Eu que não sou de sentir falta dos ingratos, tenho sentido na carne a ausência da maldita. Maldita sim porque me fez explodir nesses meses várias vezes. Ainda lembro quase que como ontem, como era sua presença. Sua plenitude. Sua totalidade. Seu cheiro. Que cheiro? Do cheiro eu nem lembro tanto assim mais. Mas lembro muito bem de como era fácil lidar com ela. Ela vinha, dizia qual era e pronto. Estava feito. Realizado sem dificultores. Executado sem nenhuma dor. E era tão gostoso ... ... ... ... “Ai, meu Deus, que saudade da Amélia”!

 

Hoje, passados muitos dias, ela passou por aqui rapidamente. Ai, que felicidade que me deu! Eu não quis mostrar-me muito animada porque ela está sempre cheia de razões e eu não posso admitir. Não quis que soubesse quanto é fundamental, quanto é importante, quanto é minha cúmplice apesar dos pesares. “... Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia...” Deixei-a ir embora sem pedir que ficasse apesar da vontade de papear, de trocar, de somar... deixei-a ir sem que percebesse que sem ela não posso mais. (E não é que ficou com jeito de bossa essa porra? Aliás, já contei que estou trabalhando na Biscoito Fino? Você não faz a menor idéia do que seja a Biscoito Fino? É uma gravadora independente de música brasileira. Genial. Tom, Chico, Bethânia e outros são meus poderosos chefões). Voltando... Deixei-a ir.

 

E logo que ela despediu-se e passou pela minha porta (ainda sem o número do apartamento, acreditam?) eu sentei, liguei o micro e comecei a escrever. Como se ela nunca tivesse se despedido. Como se ela jamais tivesse cogitado sair daqui e me deixar na mão. Puta da vida! Como se eu e minha inspiração nunca, em tempo algum, tivéssemos nos perdido uma da outra no meio dessa multidão enorme de talentos que tenho lido espalhados por aí.

 

 





Realmente não há (quase) mais nada para inventarmos..


Eis a última moda: COMO NÃO PAGAR COFRINHO NUMA POSIÇÃO CONFORTÁVEL SENTADA NO MORUMBI SHOPPING....

Basta que você cubra o cofrinho com a bolsa e, no momento em que ficar insegura com os assaltos, segure a bolsa com a mão. Fica ótimo!

Ai, ai.. .