Saímos de Curitiba prá passar o fim de ano em Sampa e ainda não voltamos! Estamos hospedados na sogrinha. Essa hospedagem me faz conhecer mais deles: dela e do sogrinho. E são tão boas as histórias que precisei sentar e escrevê-las... O que me rendeu o post...
A SAGA DO CASAMENTO DE 30 ANOS OU COMO MANTER UM CASAMENTO POR 30 ANOS.
A saga 1: O cigarro.
Os dois são fumantes inveterados. Fumam loucamente. E o pior: o mesmo cigarro. X versão Box. O diálogo que se segue é diário. E se eu quiser ser muito verdadeira, digo que o diálogo ocorre a cada virada de hora.
Ela: Bem, o cigarro.
Ele: Quê?
Ela: Bem, passa o cigarro.
Ele segura o cigarro.
Ele: Esse aqui é meu, bem!
Ela: E daí? Me dá aqui benhê!
Ele estica o cigarro. Ela acende e segura o maço.
Bem agarradinho. E passam 5 minutos.
Ele: Bem, me dá o cigarro, bem!?
Ela: Esse aqui é meu!
Ele: Não, esse era o meu que você pegou!
Ela: E daí? Vai buscar outro vai!
Ele: Anda, bem, me dá o cigarro!
Ele anda em direção a ela com as mãos abertas já prontas pára segurar bem o maço quando estiver em suas mãos.
Ela segura e ele pega na mão dela. Todo mundo que está em volta ri. Eles se olham e riem também. E assim eles vivem felizes há 30 anos. Vai, benhê, passa o cigarro....
A SAGA 2: o cartão de crédito.
Vamos as duas ao Pão de Açúcar. Estamos saindo quando ele diz...
Ele: Ô bem, tá levando o cartão?
Ela: Sim, estou!
Ele: O do Pão de Açúcar?
Ela: Não sei, tem algum cartão aqui dentro da minha bolsa com certeza...
Ele: Mas tem que levar o do Pão de Açúcar, bem.. Olha na bolsa, veja se está aí..
Ela: Ai bem, não enche vai... Eu tô atrasada!
Ele: Não, mas tem que olhar, benhê, anda...
Ele se levanta e vai em direção à bolsa dela. Ela abre a bolsa e começa a tirar da carteira:
1,2,3,5,9 cartões..
Ela: Eu não sei onde está. Preciso ir, bem. A gente não tem almoço e já são quase 13:00!
Ele: Não. Olha direito. Tem que levar aquele cartão!!
Ela: Pára bem, eu vou pagar com outro!
Ele mete a mão na carteira dela e começa a busca pelo cartão quando é interrompido por ela.
Ela: Você não sabe procurar, me dá aqui!
Ele: Procura direito então. Ele é azul e branco, olha bem, benhê.
Vira a bolsa do avesso, joga tudo que tem na carteira em cima da mesa até que ele encontra o tal cartão!!!!
Ele: Tá vendo, é esse aqui, bem!! Azul como eu disse. E está escrito aqui: P-Ã-O D-E A-Ç-Ú-C-A-R, viu!?
Eu (que estava assistindo tudo): Ahahahahah!!! Ô sogrinho, tá ensinando ela a ler, é?
Eles se olham, riem e dão um beijo de tchau. E assim ele vivem felizes há 30 anos.
Bom. Obviamente Matheus nasceu, é lindo de viver e estou absolutamente apaixonada por ele. Vamos ignorar meu sumiço no final da gravidez mas é que... Gente, como é difícil ter um nenê em casa!!!!! O final da gravidez foi muito chato mas deu tudo certo! Mas realidade nem parece que eu terminei a gravidez. A verdade é que a sensação que tenho é que estou grávida há 1 ano exatamente. As situações são sempre hilárias.
É isso. Eu chamo de A SAGA DA BARRIGA PÓS GRAVIDEZ.
Para começar que tem 94 dias que fiz uma cesárea. Eu imaginava mesmo que a barriga demoraria prá desinchar e tudo voltar ao normal. Ou seja, entrar num jeans 42, poder usar uma blusinha agarradinha e etc. E apesar de imaginar que esse dia demoraria um pouco para chegar, eu me iludi. Acabei acreditando que as coisas podiam ser diferentes comigo e que logo logo o desejado jeans entraria sem dramas. Bom, o tal dia do jeans entrando até agora não chegou. Isso seria o pior se, por causa da pança eu não estivesse sendo submetida a situações que esmagam o ego de uma mulher. Eu confesso que a maternidade é esplendorosa. Estou apaixonada pelo meu filho mas as sequelas da barriga me deixam... por dizer assim, constrangida!!!!!!!!!
1.
Local: Loja dentro de shopping.
Situação: Estou na fila para pagar. Passa uma atendente da loja por mim. Ela pára, dá dois passo para trás e me olha. Ou melhor, olha para minha barriga. Pega gentilmente no meu braço.
Atendente: Você pode ir na preferencial.
Eu: Ah, obrigada! Mas...
Atendente: Não, não. Mulheres grávidas sempre têm preferência, por favor.
O Renato me olhou como quem me mandasse pra fila preferencial. Eu segui a atendente e num instante saí da loja.
Ai ai, as vantagens... Ei, barriguda é a mãe!!!!
2.
Local: Trânsito (mais precisamente na Av Brasil).
Situação: Estou no banco do passageiro. O maridão dirigi. O farol está fechado e aquelas milhares de crianças correm entre os carros vendendo suas balinhas, flores e etc. Uma delas encosta o nariz no meu vidro. Uma menina loirinha, de seus 7 ou talvez 8 anos. Com o nariz esmagado no vidro ela começa...
Menina: Tia, compra uma bala?
Eu: Muito obrigada, não quero.
Menina: Então me dá R$ 1,00?
Eu: Olha, eu não tenho.
Menina: Então me dá R$ 10,00?
Eu (rindo do senso de espírito dela): Eu não tenho nem R$ 1,00, que dirá R$ 10,00!
Ela olha prá minha barriga. Olha prá mim dando risada. O Renato começa a rir. Tudo bem, eu desisto de dizer que não estou mais grávida.
Menina: É menino ou menina, tia?
Eu: É menino.
Menina: E como vai chamar?
Eu: Vai se chamar Matheus!!
O farol abre. O Renato enxuga as lágrimas de tanto que ri. Eu olho prá baixo. Realmente a barriga não colabora. E o pior é que não adianta chupar a barriga porque barriga de recém grávida não vai prá dentro, é incrível!!!
3.
Local: Fila do cartão Unique dentro do Villa Lobos.
Situação: Estou na fila. 3 pessoas na minha frente. Atrás de mim um casal de seus 50 anos.
Ela olha prá minha barriga. Já me conformo com o olhar.
Ela: Você não quer se sentar? Vou pedir uma cadeira para você.
Eu: Não, não precisa. Estou bem.
Ela: Bem mesmo? Está muito quente hoje...
Eu: Não, tudo bem. Estou ótima, acredite.
Ela: Ai quando a gente é jovem é sempre tão mais fácil, né?
Eu: Realmente é mais fácil.
Ela: Olha, se você quiser sentar vai que eu aviso o moço que você estava na minha frente, tá?
Eu: Muito obrigada, Senhora, mas estou bem aqui.
Ela: É menino?
Eu: Sim.
Ela: Logo vi, sua barriga está redonda.
Ai ai...
4.
Local: A cozinha da minha sogra.
Situação: Cida chega para trabalhar. Ela me olha uma vez. Duas. E outra. Até que...
Cida: Nossa, Tati, você está cheinha, né?
Eu: ahahahahaha! Estou, Cida, estou cheinha sim. Não consigo emagrecer. Um horror!
Cida: Ah Tati, não emagrece agora não. Tá bom assim!
Eu: Tá bom, Cida? Tá bom pra usar moleton, né?
Cida: Não Tati, sabe o que é? Essa barriga aí, tá com jeito que tem outro!
Eu: ahahahaha! Outro o quê? Outro nenê?
Cida: Pois é, Tati, será que você não está grávida? Essa barriga tá de grávida, Tati.
Tati: Cida, pega aquele café prá mim, por favor, vai...
Tatiana. 31 primaveras. Mais ou menos bem resolvida (já estive melhor nesse quesito). Pseudo casada há 3 anos com Renato.



